domingo, 8 de abril de 2018

Sonho - Poema de Marquesa de Alorna




Perdoa, Amor, se não quero
Aceitar novo grilhão;
Quando quebraste o primeiro,
Quebraste-me o coração.

Olha, Amor, tem dó de mim!
Repara nos teus estragos,
E desvia por piedade
Teus sedutores afagos!

Tu de dia não me assustas;
Os meus sentidos atentos
Opõem aos teus artifícios
Mil pesares, mil tormentos.

Mas, cruel, porque me assaltas,
De mil sonhos rodeado?
Porque acometes no sono
Meu coração descuidado?...

Eu, quando acaso adormeço,
Adormeço de cansada,
E o crepúsculo do dia
Me acorda sobressaltada.

Arguo então a minha alma,
Repreendo a natureza
De ter cedido ao descanso
Tempo que devo à tristeza.

Que te importa um ser tão triste?...
Cobre de jasmins e rosas
Outras amantes felizes!
Deixa gemer as saudosas! 


Marquesa de Alorna, in 'Antologia Poética' 


9 comentários:

  1. Há muito que não lia nada desta poetisa!
    Foi bom recordar!!!bj

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  2. Poema lindo de mais. Obrigada pela partilha. Amei!!

    Especial:- A vida sem a natureza jamais fará sentido (Poetizando...)
    .
    Beijinhos e um bom Domingo.

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  3. Um belo poema, de uma boa poetisa.
    Abraço e uma boa semana

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  4. Lindo poema querida amiga ,muitos beijinhos no coração felicidades

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  5. É muito lindo este poema ,boa escolha Bjs

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

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